CENTRO UNIVERSITÁRIO SERRA DOS ÓRGÃOS




Em tempos de Covid-19, leitura do livro Caminhos Bioética é recomendada para aqueles que se defrontam com questões éticas 

28-05-2020

O mundo vive inseguro e assustado com a proporção de consequências que a pandemia da COVID-19 vem causando. Milhares de pessoas são acometidas por causa da doença em diversos países, com uma velocidade que, infelizmente, inviabiliza medidas adequadas a pacientes, familiares e profissionais da saúde. Com isso, medidas éticas e Bioéticas devem ser fomentadas. Uma oportunidade para entender algumas reflexões e análises sobre o tema é a leitura do livro Caminhos da Bioética, da Editora Unifeso, recomendado a todos aqueles que se defrontam com questões éticas, sendo uma rica fonte de referência para aqueles que procuram refletir de maneira mais profunda a natureza das decisões e condutas, ou necessitam de orientações de juízo prático no dia a dia. Além de oferecer amplo arcabouço teórico em algumas áreas da Filosofia, das Ciências Humanas e Sociais, da Saúde e Direito, o primeiro volume desta série é um estímulo ao ensino e à educação para todos que enveredam pelos caminhos da Bioética.

A obra é organizada pelos professores João Cardoso de Castro e Marcio Niemeeyer-Guimarães. João Cardoso é graduado em Filosofia e doutor em Bioética. Márcio é médico, mestre em Clínica Médica na área de Terapia Intensiva e doutor em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva. Ambos lecionam nos cursos de graduação do Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso). 

O médico Márcio conta que a publicação de livros com esse tema foi motivada pelo fato da Bioética ser uma disciplina muito ampla, que remete à conduta em si, o modo de agir dos seres, e faz pensar nos princípios e decisões complexas que envolvem essa disciplina. “Temos sempre discutido os valores humanos, estará sempre em um diálogo que nunca será fácil”, admite. 

Segundo ele, há duas situações em relação à Bioética: os princípios relacionados à área da saúde, principalmente as ações e as intervenções médicas; e os conflitos que vêm dessas relações. “Considerando a atual situação de pandemia, o primeiro princípio que eu chamaria a atenção seria o da dignidade, que é o que está presente no primeiro artigo na nossa Constituição, e que também está relacionado aos direitos humanos. Todos nós somos livres e iguais perante a lei. Nós temos a dignidade e os mesmos direitos”, ressalta. 

Ele destaca ainda como perspectiva a tendência personalista que veio na filosofia e na reflexão filosófica do século XX. “O personalismo fala muito a respeito da vida e da morte, sobre a liberdade e a responsabilidade nas ações. Além da relação de sinceridade e de confiança, e aí estamos falando da relação profissional de saúde com os pacientes, fala sobre a prevenção e o não abandono”, nota o médico. O dr Márcio ressalta ainda a questão da solidariedade, em especial dentro dessas ações de atenção às pessoas com muito sofrimento pela doença em si, e também pela necessidade do isolamento, tanto de quem está doente quanto de quem é familiar. “Esses princípios personalistas que retomam essa relação e vão dar ênfase à solidariedade e à responsabilidade de suas ações, do não abandono. Se pensarmos no princípio do cuidado, ele não existiria se a gente não pensasse no outro”, coloca o autor do livro. 

Contudo, as discussões são sobre valores humanos com o desenvolvimento técnico-científico e, em especial, quando o uso dessa tecnologia não intervém no âmbito da vida em geral, em especial a humana. “Através desse aumento enorme do conhecimento humano pela tecnociência, todos estariam diante de realidades cada vez mais complexas e polêmicas, que vão exigir o discernimento ético. Por isso a importância do tema, tanto para as preferências por alternativas aqui que não comprometam a dignidade do ser humano no processo de aquisição de mais conhecimento, quanto por aquelas que possam ampliar as perspectivas de uma qualidade de vida e uma felicidade no viver”, sintetiza Márcio. 

Por fim, ele cita o bioquímico Van Rensselaer Potter, que faz referência à bioética global: “que ela seja justa, ampla e que ela permita que possamos ter uma vida de qualidade e uma vida feliz”. 



Por Giovana Campos

 

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