CENTRO UNIVERSITÁRIO SERRA DOS ORGÃOS




Médico formado pelo Unifeso atua no desvendar do mistério do DNA de cabeça mumificada há mais de 4 mil anos

03-04-2019

O mistério de descobrir a quem pertencia uma cabeça mumificada há mais de 4 mil anos foi desvendado com a colaboração do egresso do curso de Medicina do Unifeso, Fábio Pereira Nunes, na época médico pesquisador em Massachusetts General Hospital (Boston - EUA). Em 1915, uma cabeça decepada de múmia foi descoberta no canto de uma tumba saqueada na antiga necrópole egípcia de Deir el-Bersha e, desde então, os arqueólogos estavam intrigados com a sua identidade. O caso foi reaberto em 2000, quando representantes do Museu de Belas Artes de Boston, onde a peça ficava exposta, lançaram a missão de resolver o mistério da identidade da múmia entrando em contato com o Massachusetts General Hospital. 

Foi quando Fábio, que estava trabalhando em Boston, foi convidado para ajudar na pesquisa. Tentavam procurar algum material que pudesse ajudar na diferenciação e identificação do DNA. Em 2005, o hospital realizou uma tomografia computadorizada na múmia, mas não conseguiu determinar se  era do sexo masculino ou feminino. Foi então que tiveram a ideia de retirar um dente que parecia estar inteiro.

“O interessante foi retirar uma mostra de uma múmia, que está toda coberta com tecidos, sem poder abrir essa cabeça nem tocar no material, pois do contrário causaria contaminação com outro DNA. O objetivo era manter a mostra de DNA preservada. Esse processo envolveu os departamentos de radiologia, neurocirurgia e genética do hospital, e juntos fizemos uma tomografia da cabeça da múmia, a reconstruímos em 3D e conseguimos retirar um dente entrando por debaixo do pescoço, indo por detrás da boca e mantendo-o completamente protegido”, detalhou Fábio. 

Desde a extração do dente, seguido das técnicas científicas desenvolvidas pelo laboratório do FBI nos processos de análise, foram cerca de nove anos até obter o resultado. Agora, quase 100 anos depois de ser encontrada, eles podem dizer definitivamente que a cabeça era do sexo masculino e que pertencia a um governador do Egito na época. Para Fábio, a descoberta foi muito importante porque mostra aos técnicos do FBI a possibilidade que se tem em identificar o DNA de outras situações que envolvem materiais também deteriorados. A pesquisa foi publicada, em 2018, na revista Genes e ganhou destaque em veículos como “The New York Times” e “CNN”. 



O amor pela profissão vem de berço



Acompanhar o trabalho do pai, o pneumologista Carlos Pereira Nunes e professor do curso de Medicina do Unifeso há cerca de 45 anos, despertou no doutor Fábio o interesse pela Medicina. Para o pai, ver o filho decolar na área médica sempre foi motivo de muito orgulho. “Ele se formou no Unifeso em 2000, indo depois para os EUA trabalhar com pesquisa. As portas foram se abrindo com a dedicação dele. Lá ele se casou e complementou sua formação médica fazendo residência e mestrado na área de Genética, em Boston. Chegou a lecionar em Harvard (Massachusetts - EUA), quando recebeu diploma de menção honrosa no país norte americano. Hoje está na Eli Lilly and Company, trabalhando com pesquisa, e na Indiana University School of Medicine, onde atua no atendimento clínico de pacientes”, contou o pai. 



Fábio conta que ingressou na faculdade já com o intuito estudar fora, e foi através de trabalhos junto ao professor Mauro Geller, das disciplinas Imunologia e Microbiologia do Unifeso, que surgiu a oportunidade de trabalhar em Boston. “Comecei como monitor do professor Mauro no terceiro período da faculdade. Passei mais ou menos cinco anos trabalhando ao lado dele, com publicação de artigos e resumos de literatura. Desta parceria acabamos montando uma clínica no Rio de Janeiro para pacientes com neurofibromatose – que é uma doença genética”, revelou Fábio.

Seguindo seus estudos sobre a neurofibromatose, Fabio teve a oportunidade de ir para Harvard, onde fez pós-doutorado e lecionou. Depois partiu para a Residência em Clínica Médica, seguindo com um fellowship (especialização) em Genética Clínica e Mestrado em Pesquisa Clínica e Transacional. “Ao final do mestrado mudei para a companhia farmacêutica Eli Lilly, onde estou trabalhando na parte de genética e farmacogenômica”, disse.



Por Giovana Campos